Calondro, assim se chama e em doce se transforma

Calondro. 82 cm de comprimento. Outubro de 2013.

Calondro. 82 cm de comprimento. Outubro de 2013.

Numa altura em que somos cada vez mais globais, é interessante constatar que o velho ditado “cada roca com seu fuso, cada terra com seu uso”, ainda faz sentido.
Nascida que fui no Porto, desde miúda que me lembro de a abóbora fazer parte da minha alimentação, fosse na confecção da sopa (que confesso nunca me agradou…) até ao saboroso doce de abóbora, a que a minha mãe juntava pedacinhos de noz. Uma delícia!
Lembro-me que havia abóboras amarelas e verdes e, que, pelo Natal, surgia uma abóbora menos comprida e mais esférica, de bela cor alaranjada com que a minha mãe fazia, e continua a fazer, os bolinhos de abóbora-menina, pois assim se chama a dita. Mas também se chama, depende da terra onde nasce ou se vende jerimu e bolina. Estes doces bolinhos – que designamos por velhoses – ainda hoje são presença obrigatória na nossa mesa de Natal, com ou sem molho (ou seja, uma calda de açúcar aromatizada com canela e vinho do Porto).
Mas, o meu conhecimento sobre abóboras ficava por aqui, até ao momento em que vim residir para Guimarães e conheci o calondro…

O Calondro é uma cucurbitácea que Camilo Castelo Branco conhecia…

Sementes de calondro. Novembro de 2011.

Sementes de calondro. Novembro de 2011.

Tal como as abóboras que acima refiro também o calondro (em Guimarães muitas pessoas dizem colondro) pertence à família das curcubitáceas de que existem cerca de 130 géneros e 750 espécies, sendo “plantas herbáceas de hábito de crescimento normalmente prostrado, podendo algumas serem trepadoras devido à presença de gavinhas que podem ser simples ou múltiplas. As folhas são alternas, sem estípulas, simples e lobuladas” (BARROSO et al., 2007).
Em Guimarães, o vocábulo calondro / colondro designa uma abóbora alongada (a que adquiri em Outubro de 2011, media 80 cm de comprimento), com estrangulamento acentuado a cerca de dois terços do comprimento, de cor verde clara, malhada e casca dura. Nunca na minha vida tinha conhecido uma abóbora semelhante!
O calondro cultiva-se, tanto quanto consegui perceber, nos concelhos de Guimarães, Vizela, Braga, Fafe, Vieira do Minho e Montalegre, mas, o seu cultivo estará espalhado por todo o Minho e Trás-os-Montes. Em Guimarães, em 1842, vários párocos informam acerca do seu cultivo, nas freguesias de S. Tomé de Abação, S. Mamede de Aldão, Santa Marinha de Arosa, Gandarela, Santa Maria de Infias, S. Vicente de Mascotelos, S. Romão de Mesão Frio, S. Paio de Moreira de Cónegos, Santa Eulália de Nespereira, S. Salvador de Pinheiro, S. Tiago de Ronfe, S. Clemente de Sande, S. Lourenço de cimo do Selho e S. Faustino de Vizela (LAMEIRA, 1998).

Calondro a nascer. Guimarães, Maio  de 2013.

Calondro a nascer. Guimarães, Maio de 2013.

Também Camilo Castelo Branco, pelo menos em dois dos seus romances, refere os calondros. Em «Gracejos que matam» (Novelas do Minho) (1875), Irene e o amante Jacques Smith encontram em Madrid marido desta, Álvaro de Abreu, acompanhado por “duas francesas do café-concerto”, tendo Jacques Smith comentado: “– E tu a imaginá-lo a semear calondros em Basto…”. Também em «O Cego de Landim» (Novelas do Minho) (1876), volta a referi-lo: “Invadiram-lhe judicialmente a casa, e encontraram, para maior prova de crime, um açafate de maçãs camoesas, dois calondros e algumas batatas que Narcisa recolhera, de colheita aliás suspeitosa, nas lojas da casa da sua protectora”.
Abel Salazar, em «Recordações do Minho Arcaico» diz que O Minho é lambão, e inventou três classes de doces, os doces de romaria, os doces caseiros e os doces de convento”, referindo, entre os “doces caseiros”, aquele que se faz com o “carnudo calondro” (SALAZAR, 2002 [1939]: 121-122)

Rama do calondro. Guimarães, Julho de 2013.

Rama do calondro. Guimarães, Julho de 2013.

O vocábulo calondro parece ser usado noutras regiões para designar abóboras diferentes desta que se cultiva em Guimarães e nos concelhos vizinhos. De facto, na Campeã (concelho de Vila Real), chama-se calondro a uma abóbora amarela que não tem nada a ver com o calondro de Guimarães e com o qual naquela terra se faz um doce de calondro que se come pelo Natal. Sobre as diversas variedades de abóboras correntes em Trás-os-Montes vale a pena ler um interessante e informativo artigo publicado pela DRAP Norte: Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Pena é que não exista artigo semelhante sobre as cucurbitáceas do Minho, onde, seguramente teria de figurar o calondro que damos a conhecer neste artigo (BARROSO et al., 2007).
Carlos Bento da Maia no seu «Tratado completo da Cozinha e de Copa», publicado em 1904, refere uma abóbora que designa como “abóbora carneira, abóbora de água ou abóbora maçã de Hércules” e que deve ser o calondro: “É uma abóbora muito longa chegando a ter mais de um metro de comprido e cerca de 15 centímetros de diâmetro. Tem a casca de um verde muito claro e a carne muito branca. Tem aplicação usual na cozinha, onde se prepara cozida ou guisada, e na copa, onde se prepara ripada em doce ou cortada em talhadas, dando não só o doce de calda, mas também a abóbora coberta” (MAIA, 1904: 63).

Flor do calondro. Guimarães, Novembro de 2013.

Flor do calondro. Guimarães, Novembro de 2013.

Com que abóbora seria feito o doce que Heinrich Friedrich Link saboreou, em Portugal, no final do século XVIII? Talvez se referisse ao calondro… De facto, no seu livro «Notas de uma viagem a Portugal e através de Espanha e França», este autor, comenta que “as abóboras são comidas frequentemente e com gosto, da parte interior fibrosa de uma variedade de forma oblonga é feita com açúcar uma compota que é usada como doce, sendo este geralmente muito bem confeccionado em conventos de freiras” (LINK, 2005: 118).

O calondro e a cabaça, como medidas de capacidade

Calondro a crescer.  Guimarães, Agosto de 2013

Calondro a crescer. Guimarães, Agosto de 2013

O calondro, que há também quem designe como “colondro”, integra o género lagenária a que também pertence a cabaça. É interessante constatar através de documentação arcaica a associação entre a cabaça e o calondro.
Viterbo, no seu «Elucidário», publicado entre 1798 e 1799, refere o “colodra” ou “colondra”, que diz ser uma cabaça grande usada como medida, aparecendo referida em documento do séc. XIII. Diz Viterbo que “colodra” é uma “cabaça grande para ter ou medir vinho. Ainda hoje em algumas terras de Portugal se chama colondra, e a esta espécie de cabaços disseram colombros. Parece que a colodra levaria um cântaro, ou seis canadas. Hoje, na província do Minho se chama cabaço a um meio almude, ou cântaro de seis canadas; porque dos ditos cabaços ou colombros se costumam formar e aferir estas medidas. No de 1230 se fez doação de umas vinhas na aldeia de S. Cristóvão ao mosteiro de Santa Maria de Aguiar, juntamente ‘cum duabus cupis quadrigentarium colodrarum’. Doc. Do Mosteiro de Aguiar. Deste modo levando as duas cubas quatrocentas colodras, vinha a levar cada uma cem almudes ou quatro pipas” (VITERBO, 1798-1799, I: 202).

Calondro já grande.  Guimarães, Outubro de 2013

Calondro já grande. Guimarães, Outubro de 2013

A cabaça, como medida de capacidade, aparece várias vezes referida no «Livro das Campainhas», do Mosteiro de S. Salvador de Grijó, em Gaia, códice da segunda metade do século XIV. Através deste documento ficamos a saber, por exemplo, que o casal de Gonçalo Domingues pagava ao Mosteiro, entre outros géneros, “uma cabaça de vinho que será quarto de almude”, e que as “as donas de Vila Cova” tinham direito “em quinta-feira maior” a “um meio alqueire de trigo em pão amassado e um sável e uma cabaça de vinho de meio almude” (ALARCÃO; AMARAL, 1986: 16 E 74).
O uso da cabaça e do calondro como medida de capacidade deve-se ao facto de a sua casca ser dura e resistente, podendo, depois de seca, servir como contentor, por exemplo, de líquidos. Talvez o colondro – sendo maior do que a cabaça, e por isso com maior volume – correspondesse a uma medida de capacidade superior à da cabaça.

O cultivo do Calondro

A rama do colondro a secar.  É esta a altura de apanhar o calondro. Guimarães, Outubro de 2010.

A rama do colondro a secar. É esta a altura de apanhar o calondro. Guimarães, Outubro de 2010.

O calondro costuma aparecer à venda por volta do mês de Setembro-Outubro, denotando-se, nos últimos anos, em Guimarães, uma quebra na sua produção e venda, ficando isto a dever-se a cada vez menos pessoas o utilizarem para fazer doce e não haver o hábito de o utilizar na feitura de sopa.
Informaram-me que este seria um bom alimento para os animais, concretamente para os porcos, chamando-se, por isso, também, abóbora porqueira.
Este ano (2013) atrevi-me a semear calondro, tendo para o efeito utilizado as sementes que sequei e guardei do calondro que adquiri em 2011 e com o qual fiz doce.
Semeei várias sementes no início de maio de 2013 (dia três para ser mais precisa) e deu-me um enorme gozo vê-las crescer. A folha e a flor do calondro são grandes, sendo a cor desta branca.

Calondro pendurados pela rama. Guimarães, Outubro de 2013

Calondro pendurados pela rama. Guimarães, Outubro de 2013

Fui guiando a ramagem para a vedação de rede, tendo-se estendido uns largos metros. Fui regando, de modo a que não secasse. Das flores foram nascendo os calondros, sendo que muitos ficaram pelo caminho, melando em diferentes fases do crescimento.
No dia 25 de Outubro colhi os meus calondros tendo obtido dois grandes (o maior media 82 cm de comprimento) e dois pequenos, afora um que cresceu para o caminho e que umas mãos mais afoitas levaram sabe-se lá para onde…

O doce de calondro

Frente e verso do calondro. A textura e a cor acastanhada do verso do calondro deve-se ao facto de ser esta face que está  pousada sobre a terra. Guimarães, Novembro de 2011.

Frente e verso do calondro. A textura e a cor acastanhada do verso do calondro deve-se ao facto de ser esta face que está pousada sobre a terra. Guimarães, Novembro de 2011.

Em Guimarães o calondro não costuma ser usado para fazer sopa, sendo apenas vocacionado para a produção de doces, de entre os quais um doce especial no qual se usa um utensílio também especial – o “ripador” ou “esbichador”.
É sabido que as freiras clarissas que habitavam no Mosteiro de Santa Clara, edifício onde hoje está sediada a Câmara Municipal de Guimarães, confeccionavam doce de calondro. Tendo, as duas últimas abadessas do mosteiro (Ana Angelina Moreira e Antónia Amália Viegas), levado a concurso, na Exposição Industrial de Guimarães de 1884, doce de calondro, de laranja, de pêra, marmelada e toucinho-do-céu (RELATÓRIO, 1991 [1884]: 117; GUIMARÃES, 1892: 203, nota 1).

Calondro aberto a meio no sentido logitudinal. Novembro de 2011

Calondro aberto a meio no sentido logitudinal. Novembro de 2011

Com o calondro pode fazer-se compota, calondro cristalizado (designado na receita que transcrevemos como calondro seco) ou doce de calondro em fios. As receitas destas três variedades de doce de calondro vão descritas no final deste artigo, podendo afiançar-vos que Maria de Lurdes Modesto diz que a abóbora cristalizada se deve sempre fazer com calondro, dado este ter uma polpa mais firme do que a das outras abóboras.

O doce de calondro em fios

Miolo do calondro.

Miolo do calondro.

Mas, gostaríamos de nos debruçar com mais profundidade sobre o doce de calondro em fios.
De facto, este doce de calondro/colondro em fios continua a fazer-se todos os anos em casa de algumas famílias vimaranenses, sendo o calondro vulgarmente adquirido no mercado municipal.
Por cá designam este doce simplesmente como doce de calondro/colondro, mas, para que não haja confusão com a compota de calondro, passarei a designar este como doce de calondro em fios.
Se quer fazer este doce tem de adquirir o calondro no mercado e comprar o ripador na Loja Ferreira da Cunha, no Toural (Guimarães) ou na Loja Mar Chaves, na Rua da Rainha. Seguramente que quem o atender lhe venderá o ripador e lhe dará de graça a explicação sobre o modo de usar.
Comprado o calondro e o ripador, deve começar por cortá-lo meio, no sentido longitudinal, retirar as pevides e as partes fibrosas.

Miolo do calondro.

Miolo do calondro.

Limpo o calondro, e ainda com casca, começa o trabalho moroso de ripar a polpa com o ripador, de modo a que saia em fios. Estes fios, semelhantes a “bichas”, dão origem a um dos nomes do utensílio – “esbichador”, dado que transforma a polpa em bichas.
Vai-se reunindo os fios de calondro num recipiente e, quando já se tem todo o calondro transformado em fios, pode começar a fazer-se o doce.
Prepara-se como qualquer outro doce de fruta, podendo “roubar-se” um pouco no açúcar, ou seja, para um quilo de calondro pode pôr 850 grs de açúcar. De qualquer modo vai a seguir a receita de calondro de Angélica Leão Cruz de Almeida Ribeiro, de Guimarães, ainda com indicação de peso em arráteis, sendo que um arrátel corresponde a 459 gramas.

Ripador ou esbichador usado para ripar o calondro

Ripador ou esbichador usado para ripar o calondro

Como se come o doce de calondro
Pode usar a sua imaginação, mas, o doce de calondro é bom para acompanhar com queijo, para comer dentro do pão, ou simplesmente tirá-lo do frasco e comê-lo à colher.
O doce de calondro acompanha na perfeição a sopa dourada, de que já apresentámos a receita neste blogue, ou para substituir a chila na feitura do toucinho do céu de Guimarães. Em casa, faço frequentemente o toucinho do céu com doce de calondro.

Calondro a ser ripado com o ripador. Fotografia retirada do blogue Viagens,-Livros e Afins.  In http://detefegueiredo.blogs.sapo.pt/77152.html

Calondro a ser ripado com o ripador. Fotografia retirada do blogue Viagens,-Livros e Afins. In http://detefegueiredo.blogs.sapo.pt/77152.html

Calondro seco (Família Sampaio da Nóvoa)[1]
Para fazer o calondro seco é preciso para cada quilo de calondro, 1500 gramas de açúcar areado.
Descasca-se fatias de calondro grosso – coze-se em água fria.Depois coze-se em água simples, com umas pedrinhas de sal refinado – meia cozedura. Tira-se, deixa-se arrefecer e deita-se em alguidares cheios de água fria e deixa-se estar 2 ou 3 dias, mudando-lhe todos os dias a água para ele perder o gosto ao cabaço.
Quem o quer muito branquinho, põem-no ao sol a corar.

Calondro ripado

Calondro ripado

Põe-se ao lume o açúcar em ponto de espadana muito baixo, deita-se-lhe dentro o calondro e deixa-se ferver um pouco; tira-se do lume e deixa-se ficar na calda umas poucas de horas. Repete-se esta operação duas vezes por dia até o calondro estar bem passado e em ponto de secar. Então tira-se para uma rede ou peneira de cabelo e põem-se a secar ao sol.
É costume, para quem tem prática, deitar a água precisa no açúcar e esta vai apurando até o calondro estar pronto. Fica muito bem.

Doce de calondro (Família Freitas do Amaral)[2]
Calondro cozido e partido aos bocadinhos, sem casca       500 g
Açúcar branco por clarificar                                                 500 g
Água                                                                                     ½ litro
Põem-se a água ao lume num tacho. Quando esta começa a aquecer deita-se-lhe algumas claras de ovos e mexe-se muito. Depois lança-se-lhe o açúcar e quando principia a ferver borrifa-se com água, até 3 vezes. Depois côa-se. Em seguida leva-se o açúcar a ponto de espadana subido. Deita-se-lhe o calondro e aí ferve até estar em ponto grosso, isto é: tira-se um pouco para um pires e logo que ele faça uma pequena côdea, pode-se tirar para malgas.

Confecção do doce de calondro. Fotografia retirada do blogue Viagens,-Livros e Afins.  In http://detefegueiredo.blogs.sapo.pt/77152.html

Confecção do doce de calondro. Fotografia retirada do blogue Viagens,-Livros e Afins. In http://detefegueiredo.blogs.sapo.pt/77152.html

Receita de calondro (Receita de Angélica Leão Cruz de Almeida Ribeiro)
Abre-se o calondro a meio e tiram-se as pevides e depois com uma coisa de folha raspa-se o calondro até sair o branco que é isso que se aproveita e isso sai às tripinhas pelo raspador. Depois mede-se as tripas por um copo de quartilho, e, a cada quartilho um arrátel de açúcar. Deita-se água num tacho e quando a água ferver deita-se o açúcar e torna a ferver para se ligar a fruta. Ferve tudo até chegar ao ponto de fazer uma codinha na colher.

Confeccionando o doce de calondro. Novembro de 2011.

Confeccionando o doce de calondro. Novembro de 2011.

Bolo de Colondro (Receita de Inês Abreu, e que me foi dada por Maria Emília Santoalha)
1/2 frasco de colondro escorrido
10 ovos (5 inteiros + 5 gemas)
300g de açúcar
250g de amêndoa ralada

Batem-se os ovos inteiros mais as gemas com o açúcar. Junta-se a amêndoa e por fim envolve-se o colondro. Barra-se uma forma de tarte e vai ao forno durante 1 hora. Tapa-se com uma tampa de uma panela quando vir que está a queimar.

Confeccionando o doce de calondro. Novembro de 2011. Repare-se que quando se começou a fazer o doce, o tacho estava cheio, e com a cozedura a água o líquido e o calondro vai diminuindo. Novembro de 2011

Confeccionando o doce de calondro. Novembro de 2011. Repare-se que quando se começou a fazer o doce, o tacho estava cheio, e com a cozedura a água o líquido e o calondro vai diminuindo. Novembro de 2011

Se conhece outras receitas em que entra o calondro, por favor dê-me conhecimento.
Vamos ver se todos juntos conseguimos divulgar esta cucurbitácea que já poucas pessoas semeiam.
Deste modo mantemos o hábito de fazer um doce que em tempos ia à mesa de muita gente e salvamos uma cucurbitácea que tem vindo a desaparecer do nosso quotidiano.
Vamos nessa? Ainda vai a tempo de fazer o seu doce de calondro, tenho uma amiga que ainda tem o colondro e que por um destes dias fará o seu doce.

Doce de calondro nos frascos. Novembro de 2013

Doce de calondro nos frascos. Novembro de 2013

BIBLIOGRAFIA

ALARCÃO; AMARAL, 1986   Jorge de Alarcão; Luís Carlos Amaral – O Livro das Campainhas: códice da segunda metade do século XIV: Mosteiro de São Salvador de Grijó. Gaia: Gabinete de História e Arqueologia de V. N. Gaia, 1986 (Documentos sobre Vila Nova de Gaia; 4).

BARROSO et al., 2007  Maria do Rosário Barroso; Maria José Magalhães; Valdemar Carnide; Sandra Martins – Curcubitáceas de Trás-os-Montes. Mirandela: Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), 2007. In http://www.drapn.min-agricultura.pt/drapn/conteudos/cen_documentos/norte/CURCUBITACEAS.pdf (Consultado em Dezembro de 2007).

FARIA; FERNANDES, 2011  Maria Adelaide Sampaio da Nóvoa de Faria; Isabel Maria Fernandes – Receitas da Casa do Mosteiro de Landim. Guimarães: Despertar Memórias, 2011.

FERNANDES, 2012  Isabel Maria Fernandes – Doçaria de Guimarães: sua história. In Doçaria de Guimarães: sua história. Guimarães: Despertar Memórias, 2012.

LAMEIRAS, 1998  Alberto Lameiras – Inquérito paroquial 1842. Revista de Guimarães. Guimarães. 198 (1998). P. 9-644.

MAIA, 1904  Carlos Bento da Maia  –  Tratado completo de Cozinha e de Copa. Lisboa: Guimarães  C.ª, 1904.

VITERBO, 1966 [1798-1799]  Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, frei – Elucidário das palavras, termos e frases… 2 vol. Porto: Livraria Civilização, 1966. 1º ed. 1798-1799; 2ª ed. 1865.

SALAZAR, 2002 [1939]  Abel Salazar – Recordações do Minho Arcaico. Porto: Campo das Letras, 2002.


[1] Nos cadernos de receitas existem duas receitas de calondro seco, mas não diferem muito uma da outra. No caderno de receitas da família Sampaio da Nóvoa chama-se fruta seca ao que hoje designamos como fruta cristalizada. De facto fruta seca é aquela que é seca por processos naturais. Assim sendo onde diz calondro seco deveria dizer calondro cristalizado.

[2] Existem quatro receitas de doce de calondro nos cadernos de receitas da Família Freitas do Amaral, mas correspondem basicamente a uma mesma receita. Decidimos incluir esta receita dado os pesos indicados serem em gramas, ao contrário das outras que ainda são em arráteis.

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Livro Doçaria de Guimarães: sua história

Lançamento: 8 de Março, Quinta-feira, 18h00, na ACIG: Associação Comercial e Industrial de Guimarães,
Apresentação: 16 de Março, Sexta-feira, 21h30m, na FNAC do Mar Shopping, Matosinhos

Na próxima quinta-feira, dia 8 de Março, pelas 18h00, vai ser lançado na Associação Comercial e Industrial de Guimarães, o livro «Doçaria de Guimarães: sua história».
Este livro, tal como o título indica, analisa a história da doçaria vimaranense desde o século XVI até ao final do século XIX. Nesta obra pode ficar a conhecer a história dos doces vimaranenses referidos documentalmente – aletria, arroz doce, biscoitos, broinhas, caramelo, creme, chouriços e morcelas doces, confeitos, conservas ou doces de fruta, doce de chá, grãos doces, leite-crespo, manjar, massapães e massapão rosado, mexidos ou formigos, ovos moles, ovos reais, palmilhas, palitos, pão-de-ló, passas, pastéis, queijadas, queimadas de fio, sopa doce, suplicos, tortas, toucinho-do-céu.
O livro contém também as receitas de diversos doces vimaranenses entre os quais os afamados toucinho-do-céu e tortas de Guimarães.
São autores dos textos: Isabel Maria Fernandes, Nuno Vieira e Brito, Virgínia Ribeiro e Maria da Conceição Costa Mendes.
A apresentação do livro está a cargo de uma das autoras, Isabel Maria Fernandes, e estará presente o Sr. Amadeu Portilha, Vereador do Pelouro do Turismo da Câmara Municipal de Guimarães.
A 16 de Março, sexta-feira, pelas 21h30m o livro será também apresentado na FNAC do Marshopping, em Matosinhos.
Está convidado a participar!

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Título: Doçaria de Guimarães: sua história
Editora: Despertar Memórias, Lda
Formato: 23 x 23 cm
N.º de Páginas: 90
Capa: Capa cartonada
Custo: 22 euros
Pode adquirir o livro aqui

Livro «Receitas da Casa do Mosteiro de Landim»: um doce património

Têm-se prestado pouca atenção aos cadernos de receitas manuscritos que se encontram nas mãos de antigas famílias, mas, através deles conseguimos perceber o que se comia nos séculos XIX e XX e ficar a saber as quantidades e os ingredientes usados na confecção das iguarias.
Os cadernos de receitas manuscritos que conhecemos, quase todos escritos por mulheres, são propriedade de famílias conceituadas, tendo a mulher que os escreveu uma educação superior à média nacional, e nos quais são apontados principalmente receitas de doces. De facto, a originalidade e criatividade da culinária portuguesa está nos seus doces, dos quais existe uma enorme variedade.
Nas famílias de maiores posses a mulher sabia cozinhar, mas tinha sempre o apoio de uma ou mais serviçais para estas tarefas. A dona da casa, detentora da receita, por vezes limitava-se a orientar os afazeres da cozinha vigiando para que tudo corresse em conformidade ou, se participava na feitura do doce era apenas nas tarefas de mistura dos ingredientes e realização do doce propriamente dito, deixando para as serviçais, por exemplo, as tarefas de cortar, descascar, partir, bater a massa, bem como a arrumação posterior da cozinha.
No livro «Receitas da Casa do Mosteiro de Landim» reúne-se um conjunto significativo de receitas de doce (187) retiradas do caderno manuscrito de Dona Maria Henriqueta Leal Sampaio, o qual foi redigido entre final do século XIX e o primeiro quartel do século XX.
Dona Maria Henriqueta Leal Sampaio era sobrinha do Historiador Alberto Sampaio, tendo a sua vida decorrido inicialmente em Guimarães, e, anos mais tarde, em Famalicão: Nesta cidade residiu na Casa de Boamense, e, após o casamento, na sua Casa do Mosteiro de Landim, propriedade onde viria a falecer. Outra cidade a que Dona Maria Henriqueta se encontrou ligada foi a Vila do Conde, local onde, na companhia dos pais, do irmão e de seu tio Alberto Sampaio, costumava passar férias.
Destas três cidades tem Dona Maria Henriqueta no seu caderno manuscrito um número significativo de receitas de doce, sendo de realçar que muitas delas são desconhecidas do grande público e que outras se mantiveram até hoje confinadas apenas ao recato de alguns lares.
Desde 2001 que a gastronomia é considerada património cultural, valorizando-se, deste modo, a enorme riqueza culinária portuguesa.
Neste livro consta um conjunto significativo de receitas de biscoitos, bolachas, bolinhos, bolos, doces de colher, doces de fruta, fritos (doces), morcelas e chouriços doces, pães e pãezinhos, pastéis, pudins.
Chama-se a atenção também para o facto de 22 receitas terem origem conventual, sendo a maior parte proveniente do Convento de Vairão, em Vila do Conde (12 receitas), e do Convento de Santa Clara, em Guimarães (5 receitas).
Este livro de receitas tem dois textos iniciais, um da autoria de Maria Adelaide Sampaio da Nóvoa de Faria, sobrinha neta da autora do Livro de Receitas, outro de Isabel Maria Fernandes, ex-directora do Museu de Alberto Sampaio e estudiosa da gastronomia portuguesa.
O custo de venda ao público do livro é de 25 euros e pode ser adquirido online  no site da Editora Despertar Memórias

Próximos locais para a apresentação do livro:

  • Guimarães – Fnac Guimarães Shopping. 19 de Novembro, Sábado, pelas 18 horas
  • Torres VedrasConfeitaria «Casa da Avó Gama». 26 de Novembro, Sábado, 17 horas. Email: geral@casadaavogama.net

Lista de algumas das receitas que constam no livro

Guimarães (dezassete receitas) – Ovos queimados (N.º 120); Doce de pêra (Perada) (N.º 124); Bichas (N.º 1); Laranjinhas (N.º 57); Manjar branco da Costa (N.º 61); Queijadas (N.º 66); Toucinho do céu (N.º 92); Manjar real (N.º 102); Mexidos do Natal (N.º 103); Figo seco (N.º 127); Receita para fazer nabada (N.º 135); Sardinhas (N.º 138); Morcelas (N.º 142); Tortas (N.º 152); Pastéis de doce (N.º 157); Pudim de pão (N.º 170); Receita das flores de açúcar (N.º 186)Vila do Conde (treze receitas) Charutos (N.º 8); Palitos (N.º 14); Rosquinhas (N.º 15); Tolos de Coimbra (N.º 18); Bolinhos de amêndoa (N.º 26); Bolinhos de ovos e amêndoa (N.º 29); Bolinhos de ovos ou Velhinhos (N.º 30); Castanhas de doce (N.º 42); Rosquinhas ou bolinhos de ovos (N.º 68); Creme (N.º 96); Espécie de leite (N.º 100); Pastéis fritos (N.º 159); Rebuçados (N.º 185)Famalicão (doze receitas) Biscoitos fidalguinhos (N.º 6); Bolinhos de ouro (N.º 28); Doces amarelos (N.º 50); Doces bolinhos (N.º 51); Engano de Senhora (N.º 54); Scones (N.º 70); Suplicos (N.º 71); Pão-de-ló (N.º 89 e 90); Sopa dourada (N.º 110); Doce de laranja à inglesa (N.º 120); Pudim delicioso (N.º 173)