Peru de Natal

Livro de receitas manuscrito de Maria Cândida Carvalho. Boa maneira de preparar o peru

Nesta época natalícia divulgo uma receita de peru que era costume fazer-se, em Santo Tirso, em casa dos avós do meu marido. A receita consta no livro manuscrito de receitas de Maria Cândida Carvalho, avó do meu marido, nascida em Sabrosa (distrito de Vila Real), a 16 de Agosto de 1885, e, falecida, em Santo Tirso, a 30 de Outubro de 1966. Maria Cândida tirou o curso do magistério primário em Vila Real e exerceu como professora primária, em Santo Tirso, cidade onde casou com Torcato Dias Correia Portela, também professor primário, de quem teve três filhas – Maria da Assunção, Maria Adelaide e Maria Alice Carvalho Correia Portela.
O livro de receitas manuscrito que tenho nas minhas mãos começou a ser escrito, em 1948, tendo Maria Cândida utilizado uma agenda diária desse ano para o efeito. A capa da agenda foi forrada com tecido e assim se mantém até hoje.
Parece que Maria Cândida não tinha especial predilecção pela cozinha deixando essa tarefa às criadas, sob a orientação atenta de sua mãe Maria Benedita Carvalho, que gostava das artes culinárias.
No entanto, Maria Cândida, teve o cuidado de apontar as receitas que se faziam em sua casa, anotando, em alguns casos, que lhas tinha dado. Segundo informação de sua filha, Maria Adelaide, muitas dos nomes indicados correspondem a colegas de profissão de sua mãe.
O manancial de receitas contido no livro é grande – de carne, de peixe, de marisco, de doces – e permite ficar a conhecer o que se comia na primeira metade do século XX.
Hoje partilho a receita do peru que se fazia no Natal, em casa dos avós do Fernando, e que eu, de quando em vez, continuo a fazer. Ilustro o texto com a capa do livro de receitas manuscrito e com a receita do peru.

Boa maneira de preparar o peru
Mata-se o peru de véspera depois de o ter embebedado com aguardente. Quando estiver caído de bêbedo, mata-se e depena-se em seco.
Depois deita-se num alguidar, dentro de água temperada de sal com rodelas de cebola, salsa, pimenta branca, alho e um bocado de vinho branco. Fica assim até ao outro dia que vai ao forno. Antes de ir ao forno deita-se numa pingadeira e tempera-se com azeite e manteiga de vaca. Enche-se-lhe o papo com farófia e deita-se na pingadeira a cebola que estava no alguidar e algum vinho branco. No forno vira-se e rega-se com o molho da pingadeira muitas vezes até cozer.
 
Farófia: Deita-se farinha [de mandioca] numa sertã com manteiga de vaca e deixa-se torrar e depois coze-se no papo do perú antes de ir ao forno a cozer.

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Compota de Figo (Adega Popular, Fafe)

5 kg de figos pingo de mel
2,5 Kg de açúcar

Modo de preparação
Escaldam-se os figos em água a ferver. Seguidamente colocam-se numa panela, juntamente com o açúcar e deixa-se ferver até este fique em ponto de pérola. Durante a cozedura, para evitar que o figo se agarre ao fundo do tacho, deve-se ir mexendo de vez em quando, mas com cuidado para não desfazer os figos.

Nota: Confesso que em Fafe um dos restaurantes da minha predilecção é a Adega Popular. A comida é muito boa, sendo ainda feita em forno de lenha. Os assados, por exemplo, são fantásticos. Mas, o que me faz deslocar aquele restaurante, e sempre com água na boca, é a sua compota de figo. É um manjar divinal que se saboreia gostosamente. Se for a Fafe não deixe de almoçar ou jantar na Adega Popular e faça questão de provar o doce de figo.
A receita que aqui divulgo foi-me dada pela Dr.ª Fátima Aguiar, que fez o favor de a pedir no próprio restaurante.

Pudim Francês (receita de Carolina Freitas)

16 gemas
2 ovos inteiros
1 cálice de vinho do Porto
400 ml de água
750 gr de açúcar

Levar a água com o açúcar a ponto de pérola. Misturar os ovos com o vinho do Porto. Não bater, só misturar.
Quando o açúcar em ponto de pérola estiver morno, juntam-se os ovos.
Untar a forma com caramelo e ao deitar o preparado na forma passar pelo coador para que não passem algumas impurezas.
Cozer na panela de pressão 35 minutos

Nota: Esta receita de pudim é feita por Carolina Freitas, natural de Guimarães, que a aprendeu com sua mãe. Trata-se de uma receita de pudim feito pelas famílias vimaranenses, possuindo uma admirável textura, que se fica a dever, em parte, ao facto de ser coado.