Mercadinho dos Sabores e dos Saberes

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Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe / Museu das Terras de Basto

Sábado à tarde, 22 de Junho, 15h00-18h00

No próximo Sábado vai realizar-se mais um mercadinho dos Sabores e dos Saberes. No belo cenário da estação ferroviária de Arco de Baúlhe terá lugar o 3.º Mercadinho dos Sabores e dos Saberes.

Aí poderá encontrar e provar o melhor que a terra cabeceirense dá nesta época do ano – cerejas, legumes, ovos, enchidos, mel, broa, pão com chouriço, compotas, vinho e outras iguarias que costumam deleitar quem nos visita. Não faltarão os doces de romaria – cavacas, rosquilhos e rebuçados.

O visitante poderá também adquirir peças de lã feitas pelas mulheres de Bucos, linhos e mantas.

Em visita organizada ou individualmente, venha ao Arco de Baúlhe e conheça o que a terra tem de melhor. Não perca!

Local: Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe (antiga estação de caminho de ferro de Arco de Baúlhe)

Horário do Mercadinho dos Sabores e dos Saberes: 15h00 às 18h00

Horário do Museu: 10H-12h30; 14h00 às 17h30m

Entrada gratuita

Espetada da Madeira em terras de Gaula

Madeira. Gaula. Achada de cima. Espetada de carne a ser assada na lareira

Numa sexta-feira à noite (2 de Novembro de 2012), a uma hora tardia para a nossa hora habitual de jantar, fomos levados pelo Élvio Sousa a provar o que ele considera a melhor espetada de carne da Madeira.
O espaço onde se come, talvez não seja correcto chamar-lhe restaurante, fica à margem da estrada, no lugar de Achada de Cima, na freguesia de Gaula, concelho de Santa Cruz.

Madeira. Gaula. Achada de Cima. Sala de entrada. Nov. 2012

Trata-se de um velho edifício, com paredes de pedra vulcânica de cor escura sobre as quais foi lançada uma placa de cimento que permanece à vista. O espaço acessível aos comensais é constituído por três divisões sem janelas (a única entrada de luz é a da porta de entrada) que se sucedem: a sala de entrada, a sala com mesas e a sala com a lareira onde se assam as espetadas, na qual também há uma mesa e cadeiras.
Não julgue que aqui vai encontrar um lugar requintado, com tudo o que estamos habituados num restaurante. Não, considere este sítio mais como uma tasca ou uma tenda de arraial, um espaço improvisado onde vai comer sem prato, garfo ou faca. Considere isto como uma experiência de tempos passados: um local onde vai poder saborear uma excelente espetada, a qual terá de comer com pão e com o auxílio das mãos. Inolvidável!

Para ter acesso à sala com mesas tem de se contornar o balcão onde o Sr. Pedro corta as carnes e o balcão de atendimento (no qual se insere a banca onde se lava a loiça).
É nesta primeira sala, por detrás de um balcão frigorífico onde se expõem a carne de vaca, que o proprietário do estabelecimento, o Sr. Pedro Freitas corta a carne e prepara as espetadas. Ao lado, numa arca frigorífica vertical guarda-se a carne, à qual o Sr. Pedro recorre sempre que necessita de mais. No balcão frigorífico fica visível a carne de vaca que vai ser cortada – ossobuco, mendinha, picanha.

Madeira. Gaula. Achada de Cima. O Sr. Pedro Freitas cortando a carne para a espetada. Nov 2012

O Sr. Pedro, vestido com bata branca, de luva metálica na mão esquerda e enorme faca na mão direita, ao mesmo tempo que vai cortando a carne em pequenos pedaços, conta que aprendeu a arte de talhante com um tio, era ainda criança pequena. O espaço que hoje possui e onde vende espetadas abriu-o há oito anos atrás. Por estranho que possa parecer trabalha sozinho: corta a carne, prepara a espetada, abre o vinho, serve água ou sumos, lava a loiça e faz a conta do que se comeu.
Quem aqui vier tem de se lembrar que vem para comer carne de alta qualidade, “carne de palheiro” como se diz na Madeira, ou seja, carne criada pelo lavrador num “palheiro”, uma espécie de estábulo de duas águas, construído em pedra e de dois pisos, onde são criados os gados (geralmente vacas) nas áreas rurais na Madeira (informação de Élvio Sousa).

Madeira. Gaula. Achada de Cima. Carne usada na espetada. Nov 2012

A carne é vulgarmente ossobuco, mendinha e picanha, sendo a espetada preparada ao gosto do cliente – mais carne de um tipo, menos de outro. Perguntei ao Sr. Pedro qual a carne da sua preferência para fazer a espetada, tendo-me informado que prefere a mendinha, pois a flor da carne, ou seja, a gordura daquela parte da carne, dá-lhe paladar e garante a sua tenrura.

Madeira. Gaula. Espetadas de carne prontas a serem assadas. Nov 2012

Junto ao balcão frigorífico existe um caixa metálica com água quente onde se colocam os longos ferros das espetadas com cabo em plástico branco. Explica o Sr. Pedro que tal aparelho garante a esterilização dos ferros.
Dessa caixa tira o Sr. Pedro o longo ferro onde espeta vários pedaços de carne. Pronta a espetada deposita-a nas mãos do comensal e, a partir daí, o trabalho deixa de ser seu e passa a ser feito pelo comensal, o qual agarra a espetada pelo cabo de plástico, a polvilha com sal grosso e a vai assar na lareira.
A lareira é uma espécie de banca, sobre a qual pousa uma estrutura de ferro em V, na qual ardem toros de madeira, sendo os fumos expelidos por uma chaminé. Aos lados desta estrutura em V espalham-se brasas sobre as quais, e a uma distância de cerca de um palmo de altura, se assam as espetadas. Também a lareira é feita de cimento, tendo um aspecto rudimentar.

Madeira. Gaula. Achada de Cima. Espetadas de carne a assar. Nov 2012

Aí fomos pôr as nossas espetadas, e aí seguimos o conselho de outros comensais que nos ensinaram como deveríamos proceder: ir virando com regularidade a espetada, apagar com um pouco de água alguma labareda inoportuna que teimasse em queimar a carne, não a deixar assar em demasia, pois a carne ficaria rija.
A espetada come-se na sala do meio, ou seja, na sala que fica entre a sala de entrada e a sala da lareira. Esta sala, de forma rectangular, tem cadeiras e mesas, e no sentido do comprimento da parede, um longo arame no qual se penduram as espetadas que ficam a pingar sobre uma travessa. No tecto, em cimento desnudo, e sobre os arames, aqui e ali pendem ramos de loureiro. Sobre a mesa, que não é coberta com toalha, para além da espetada há apenas pão caseiro de Gaula, pacotinhos de manteiga, uma faca de serrilha, usada para cortar o pão em fatias, copos, a garrafa de vinho tinto, sumos, para a criança e a jovem que nos acompanham, guardanapos, e dois garfos que ajudam a retirar a carne da espetada. Para comer usam-se as mãos, a fatia do pão sobre o qual se poisa a carne e nada mais! Uma extrema simplicidade para provar uma espetada feita com saborosa e suculenta carne. Uma delícia!

Madeira. Gaula. Achada de Cima. Uma das mesas da sala da lareira. Nov 2012

No dia em que fomos havia no restaurante três grupos de comensais: um grupo de homens que, dado não terem mesa, comeram de pé, no balcão de atendimento, na sala de entrada; um grupo de jovens que comeu numa mesa existente junto à lareira; e um enorme grupo de pessoas, na sua maioria mulheres, que festejavam os anos de uma delas. Este grupo trouxe consigo batatas cozidas com pele, pratos de plástico, vinho caseiro em garrafão de água, de plástico, e para sobremesa pudim de manga em recipiente de pyrex.

Madeira. Gaula. Acha de Cima. Sala onde se come a espetada. Repare-se nos arames junto ao tecto e nos quais se penduram as espetadas. Nov 2012

Confesso que nunca tinha comido em espaço semelhante, tendo-me lembrado uma jantar feito há muitos anos atrás, na década de 80, quando regressados de um mês de férias no estrangeiro, deparamos, à noite com uma arraial em terras de Bragança, onde se assava no espeto um boi inteiro. Sentámo-nos em mesas de madeira providas de bancos corridos e aí nos deleitámos com um excelente naco de carne, também acompanhado com pão. Ainda hoje recordo o sabor e a tenrura dessa carne.
Se for à Madeira, se quiser provar uma suculenta e saborosa espetada de carne na companhia de amigos; se não se importar de assar a sua própria espetada; de se sentar numa sala escura e desprovida de luxos; de comer a carne sobre um naco de pão, e utilizando as mãos; vá até à freguesia de Gaula, ao lugar de Achada de Cima e pergunte pelo restaurante onde se comem as espetadas ou pergunte pelo Sr. Pedro Freitas. Irá seguramente deliciar-se com uma excelente espetada e passar por uma experiência inolvidável que ficará gravada na sua memória por muito tempo. Experimente!

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Nota: As fotografias são da minha autoria, logo, sem qualidade, mas servem pelo menos para documentar o espaço e os gestos

História muito sucinta do cacau e do chocolate

1. Cacau (Theobroma cacau L.)

Os Maias terão sido os primeiros a cultivar o cacau há cerca de 2000 anos.
Em escavações arqueológicas realizadas na Guatemala, encontrou-se uma taça, datada de 500 d.C que se pensa terá sido utilizada na ingestão do chocolate como bebida.
Em 900 Quetzalcoatl (ou Kulcukán) é rei dos Toltecas, tendo vindo a ser mais tarde considerado uma divindade, venerada como Deus do Chocolate.
Em 1519, na ilha de Guanaja (Honduras), os autóctones oferecem a Cristóvão Colombo, favas de cacau, mas na altura estas não são valorizadas.

2. Pintura mural de Diego Rivera. A safra do cacau

Tem de se esperar por 1519, quando Hernán Cortez conquista o Império asteca, derrubando o imperador Montezuma, para os espanhóis descobrirem a bebida à base de cacau preparada pelos astecas. Na segunda carta escrita por Hernán Cortez a Carlos V e datada de 30 de Outubro de 1520, refere-se ao cacap (cacau) informando ser este considerado uma moeda entre os Astecas. Assim narra o texto: “En aquella provinvia de Malinaltepeque (…) estaban sembradas sessenta hanegas de maíz y diez de frijoles, y dos mil piés de cacap, que es una fruta como almendras, que ellos vendem molida; y tiénenla en tanto, que se trata par moneda en toda la tierra, y com ella se compran todas las cosas necessárias en los mescados y otras partes” (CARTAS, 1966: 94).
Parece ter sido Hernán Cortez quem terá enviado a Carlos V, favas de cacau bem como o modo de o preparar, o que terá levado a introduzir o hábito de consumo da bebida de cacau em Espanha e paulatinamente na Europa.
A bebida preparada pelos astecas com cacau era feita com água e aromatizada com especiarias, dando origem a uma bebida amarga e de forte travo. Não se sabe quem, algures no século XVI, esteve na origem da preparação da bebida de chocolate tal como hoje a conhecemos com o recurso ao mel e ao açúcar, mas não há dúvida de que tal mistura teve início em mãos de espanhóis. O acrescento do leite na preparação do chocolate parece ter tido início cerca de 1650.
O termo chocolate parece ter a sua origem na palavra asteca xocolatl, palavra composta por xoco, ou seja amargo, e atl, ou seja água. De facto, a bebida preparada pelos astecas era feita com água e condimentada com especiarias.
Em 1569 o Papa Pio V decidiu que o chocolate com água não quebrava o jejum.
Da Espanha dos Filipes, senhores de um vasto império que chegou a englobar Portugal e a Flandres, e das relações destes com as restantes cortes europeias, o consumo da bebida de cacau difunde-se e conquista o gosto das elites de então.
A produção de chocolate sólido parece ter tido origem em Londres, em 1674. Sendo o armazém Coffee Mil anda Tobacco Roll o primeiro produtor de pastilhas de chocolate.
Na taxonomia de Lineu (1737), o cacau é designado como Theobroma cacao, significando a justaposição das palavras gregas theo + broma «alimento dos Deuses».
Em 1825, Na Holanda, Van Houen consegue extrair a gordura do cacau, registando em 1825 a patente do primeiro chocolate em pó.
O chocolate de leite foi inventado pelo suíço Daniel Peter, em 1875. Mas tal invenção só se tornou possível depois de Henri Nestlé ter criado o leite condensado.

O cacau e o cacaueiro

3 e 4. Cacaueiro. A árvore que dá cacau

O cacau (Theobroma cacao L.) é o fruto da árvore cacaueiro e pertence à ordem Malvales, família Malvaceae e ao género Theobroma, sendo originário da América Central e do Brasil.
“O cacaueiro (Theobroma cacao) é a árvore que dá origem ao fruto chamado cacau. É da família Malvaceae e sua origem é América Central e Brasil. Pode atingir até 6 metros de altura, possui duas fases de produção: temporão (março a agosto) e safra (setembro a fevereiro), a propagação é por sementes (seminal/sexuada) e vegetativa (assexuada), planta de clima quente e húmido, o solo ideal é o argilo-arenoso. Por ser uma planta umbrófila, vegeta bem em sub-bosques e matas raleadas sendo, portanto, uma cultura extremamente conservacionista de solos, fauna e flora”. In http://pt.wikipedia.org/wiki/Cacau
São três as principais variedades de cacaueiros: o forasteiro, originário do Amazonas, o crioulo, originário da América Central e o Trinitário, um híbrido obtido a partir dos dois anteriores, e produzido na Indonésia, Sir Lanka e Madagáscar.
Em média um cacaueiro com mais de 3 anos produz cerca de 300 cabossas. Cada cabossa tem entre 30 a 50 favas, envoltas numa mucilagem esbranquiçada e doce e mede de comprimento entre 10 a 25 cm, pesando cerca de 750 gr. O fruto do cacaueiro, a cabossa ou maçaroca, é retirado da árvore, com o auxílio de um facão ou, caso as cabossas se encontrem no alto do cacaueiro, com um podão, um longo pau com uma faca especial presa na ponta.
No cacau estão presentes os seguintes nutrientes: magnésio, ferro, crómio, anandamida, theobromina, antioxidantes (polifenóis, catequinas e epicatequinas), manganês, zinco, cobre, vitamina C, ácido graxo ómega 6, feniletilamina (pea) e serotonina.

A transformação do cacau em chocolate

Cabosssa, vendo-se no seu interior a mucilagem que recobre as favas de cacau. Fotografia de Jochen Weber

O fruto do cacaueiro é retirado da árvore depois de estar maduro. A cabossa ou maçaroca é seguidamente cortada a meio, sendo retiradas as favas que se encontram no seu interior as quais são imediatamente libertas da mucilagem que as envolve. As favas são de seguida amontoadas e cobertas com folhas de bananeira ou guardadas dentro de caixas, para que fermentem.

Favas de cacau nos cochos (caixas de madeira) onde ficam a fermentar durante cerca de uma semana. Fotografia de Jochen Weber.

É durante esta fase que o cacau ganha o sabor, o aroma e a cor que o irão caracterizar. O processo da fermentação dura cerca de uma semana.
As favas, depois de fermentadas são submetidas a uma fase de secagem, etapa necessária para que seja possível armazenar e transportar as favas nas devidas condições. Procede-se à secagem espalhando as favas no solo ou em tabuleiros/mesas e deixando-as secar ao sol.
Depois de secas as favas são pisadas com os pés para retirar as impurezas que ainda possam conter.

Pisar o cacau com os pés durante a fase de secagem. Fotografia de Jochen Weber.

Vale a pena conhecer o conjunto de belíssimas fotografias realizadas por Jochen Weber que acompanhou os trabalhadores do cacau na região a sul da Baia – reportagem do cacau = Kakao reportage. Através das suas fotografias é possível perceber as diversas fases pelas quais passa a transformação do cacau desde o cultivo até se transformar em chocolate.Também um vídeo intitulado Conhecendo todo o processo do chocolate, divulga o modo como se tiram os frutos do cacaueiro e como se preparam as favas do cacau.
Mas, outras tarefas se vão suceder. Primeiro, as favas são torradas sobre uma chapa, procedendo-se de seguida ao descasque das mesmas, separando a amêndoa de cacau da casca que o envolve.
Na posse da amêndoa limpa é necessário proceder à sua moagem. Esta tarefa, ainda hoje realizada no México e na Guatemala tal como os astecas o faziam, é executada com recurso ao metate e ao metlapil. 
Vale a pena ver o pequeno vídeo aqui referido no qual se demonstra com ainda hoje se faz o chocolate na Cidade do México – Fabricacion tradicional de chocolate: ofício

7. Metlapil e metate. Utensílio ainda usado hoje em alguns locais e que serve para moer a fava de cacau já sem a casca-

Procede-se do seguinte modo: uma pessoa, de joelhos, coloca os grãos de cacau sobre a metate, uma espécie de banca de pedra volcânica com três pés, tratando de os moer com o metlapil, uma espécie de rolo da massa também feito de pedra volcânica. Com ambas as mãos a pessoa vai rolando o rolo sobre as amêndoas de cacau até os transformar num pó fino, que por fim se molda em forma de bola.
No México o metlapil também era usado para moer os grãos de cereais. Diego Rivera, num dos seus murais representa, o seu uso.

7. O uso do metlapil e do metate para moer os grãos. Painel mural de Diego Rivera.

Hoje o chocolate já é preparado por processos mecanizados o que torna mais rápido e eficiente a transformação do cacau até adquirir a forma de chocolate em barra.

Apresenta-se seguidamente uma fotografia de Jochen Weber onde é possível assistir à transformação que vai sucedendo à fava do cacau desde que sai da cabossa e até que se transforma em chocolate.

6. Transformação da fava de cacau em chocolate. Fotografia de Jochen Weber.

Descrição da imagem de Jochen Weber.
1. Fava de cacau ainda com a mucilagem branca que a envolve dentro da cabossa
2. Fava fermentada
3. Fava seca
4. Fava torrada
5. Casca do cacau, resultante do descasque da fava
6. Amêndoa sem casca
7. Torta de cacau
8. Manteiga de cacau
9. Cacau em pó obtido após moagem da torta de cacau

O chocolate como bebida
Os astecas preparavam a sua bebida à base de cacau, torrando e moendo as favas do cacau, juntando-lhe água, malagueta, canela, pimenta e baunilha, o que originava uma bebida amarga e picante. Ainda hoje, no México, se bebe o chocolate misturado com água e não com leite como é costume na Europa.
O hábito de beber o chocolate misturado com leite e açúcar é uma invenção europeia que deve ter tido o seu início no século XVII.
Para preparar uma bebida de chocolate aquece-se água ou leite com açúcar e vai-se acrescentando o chocolate, sempre mexendo com um molinete, normalmente de madeira, de modo a que a bebida fique bem emulsionada e ganhe espuma. Pode também acrescentar-se canela e baunilha em pó. O chocolate deve servir-se quente.
O utensílio apropriado para fazer o chocolate é a chocolateira, existindo chocolateiras feitas em diversos materiais: barro, folha-de-flandres, cobre e prata.
Sobre a chocolateira e o seu uso falaremos num outro artigo.

Bibliografia
CARTAS, 1866
Cartas y relaciones de Hernan Cortés al emperador Carlos V. Colegidas e ilustradas por Don Pascual de Gayangos. Paris: A. Chaiy Y C.e, 1866.
In http://books.google.pt/books?id=e7IGAAAAQAAJ&printsec=frontcover&hl=ca#v=onepage&q&f=false

KHODOROWSKY; ROBERT, 2000
Katherine Khodorowsky; Hervé Robert – Abcedário do chocolate. Paris: Reborn, 2000.

ORTEMBERG, 2007
Adriana Ortemberg – Paixão pelo chocolate: o grande livro do manjar dos Deuses. Lisboa: Círculo dos Leitores, 2007.

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Guias improváveis (CEC 2012): uma visita a Guimarães que cruza, entre outros, dois saberes, gastronomia e olaria

Tortas de Guimarães. Casa Costinhas

No próximo Sábado, irei servir de «guia improvável» numa visita ao Centro Histórico de Guimarães.
Não iremos falar sobre o património edificado, mas sobre as «pedras vivas», parafraseando António Sérgio, que fizeram e fazem o quotidiano da cidade.
Iremos falar de profissões de antanho e conhecer as profissões de hoje.
Iremos provar doces (o património gastronómico também é Cultura) e conhecer a cerâmica de séculos passados.
Iremos entrar em lojas que nos fazem lembrar outros tempos e passaremos por conhecidos espaços de sociabilidade da cidade.
A visita decorre no Sábado de manhã, dia 23 de Junho, entre as 10h00 e as 12h00 e deverá ser feita inscrição prévia até à próxima quinta-feira, dia 21. Poderão ser efectuadas através do email emifer.freitas@guimaraes2012.pt
(serão aceites duas pessoas por inscrição).

Cerâmica arqueológica medieval encontrada na ACIG

Abaixo transcreve-se a notícia divulgada por «Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura»

Tanques de Couros

Voltamos a reservar um sábado muito especial para si com … Isabel Fernandes.
Tanques de couros, uma oficina de ferreiro e uma exposição de cerâmica arqueológica são alguns dos pontos de um itinerário que o nosso Guia Improvável preparou para si.
Tendo como principal área de investigação a cerâmica e os museus como área prioritária de atuação, a antiga diretora do Museu Alberto Sampaio considera primordial, nos museus, a componente do contacto com o outro. Foi precisamente na linha deste contacto com “o outro” que Isabel Fernandes aceitou o desafio de, por um dia, ser o nosso Guia Improvável.
Estas visitas acontecem no próximo sábado, dia 23 de junho, e as inscrições decorrem até à próxima quinta-feira, dia 21. Poderão ser efetuadas através do email emifer.freitas@guimaraes2012.pt (serão aceites duas pessoas por inscrição).

Exposição: Latas de Conserva: mostra de embalagens de conservas de peixe

Exposição Latas de Sardinha, organizada pelo Centro de Artes Culinárias no Mercado de Santa Clara, em Lisboa

Vá lá, não se esqueça de por estes dias visitar o Centro de Artes Culinárias no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, e de apreciar a exposição sobre Latas de sardinha. Vai ver que gosta!

Mercadinho dos Sabores e dos Saberes no Arco de Baúlhe

Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe / Museu das Terras de Basto
Sábado, 16 de Junho de 2012

Em Cabeceiras de Basto, um concelho ainda profundamente marcado pela paisagem natural e onde as pessoas continuam a cultivar frutas e legumes destinados ao consumo caseiro, mantêm-se sabores de outras épocas.
No Sábado, dia 16 de Junho, da parte de tarde, entre as 15h00 e as 18h00, a, o Museu das Terras de Basto organiza, no Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe, um Mercadinho dos sabores e dos saberes.
Quem visitar o Núcleo Ferroviário vai ter possibilidade de ver, e em muitos casos de saborear, os produtos que a terra dá nesta época do ano, e alguns dos pratos que com eles se confeccionam.

O fumeiro da Dona Ana Brás. Bucos (Cabeceiras de Basto). 2012

À venda estarão legumes de diversas qualidades, fruta, ovos, vinho, chouriço, salpicão, alheiras, mel.
Não faltará a broa, o bolo de chouriço e o pão com chouriço, bem como os doces de romaria – cavacas, rosquilhos e rebuçados.

Doces de Romaria. Rebuçados da Dona Nazaré Oliveira. Cavez (Cabeceiras de Basto). Maio de 2012

Haverá também exposição e venda de produtos em lã feitos pelas mulheres de Bucos, latoaria e miniaturas de madeira.
Em visita organizada ou individualmente, venha ao Arco de Baúlhe e conheça o que a terra tem de melhor. Não perca!
Local: Núcleo Ferroviário de Arco de Baúlhe (antiga estação de caminho de ferro de Arco de Baúlhe)
Horário do Museu: 10h00 às12h30; 14h00 às 17h30m
Horário do Mercadinho dos Sabores e dos Saberes: 15h00 às 18h00
Entrada gratuita

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Um ano…

Faz hoje exactamente um ano que comecei este blogue…
Foi timidamente que o iniciei, dando passos devagarinho, fazendo o caminho, caminhando… Criei-o com a intenção de nele ir divulgando as duas áreas que neste momento e desde há uns anos mais estudo – a cerâmica portuguesa (uma paixão com 29 anos de existência…) e a gastronomia uma paixão bem mais recente.
Ao longo do dia o que mais me ocupa o tempo é a investigação que venho fazendo em torno da olaria preta em Portugal, pelo que à noite me sabe bem ir colocando no blogue textos sobre a gastronomia.
De facto, nas muitas leituras que vou fazendo em busca de referências à cerâmica deparo, aqui e ali, com dados sobre os alimentos e alimentação em Portugal.
O blogue tem também servido para colocar algumas das receitas que usualmente faço em casa e outras que vou experimentando e me agradam. As receitas são também uma partilha com a minha filha e as amigas que me vão pedindo.  Não se pense que sou uma cozinheira de truz! É verdade que gosto de cozinhar e que cozinhar me dá prazer, mas a minha vida tem sido essencialmente a leitura e o computador… Não é triste sina a minha, mas é certo que gostaria de ter mais tempo para meter a mão na massa…

Até ontem publiquei 49 textos e o blogue recebeu 22702 visitas. Não é muito, nem é pouco, é o que dá a estatística…
No início, poucos o consultaram e na sua maioria os acessos eram feitos a partir de Portugal, hoje, o Brasil é um frequentador assíduo bem como alguns países europeus (Inglaterra, França, Luxemburgo), americanos (Estados Unidos e Canada) e africanos (Cabo Verde, Angola).
A página inicial teve 14142 acessos sendo os três textos mais consultados: «santieiros, frades, choteiros ou tortulhos (Cabeceiras de Basto)», com 645 acessos; «As caldas do Gerês no verão de 1798», com 496 acessos e «sopa dourada, barrigas de freira e outras receitas com pão de ló», com 448 acessos. O menos consultado foi «salada caprese», com 7 acessos.
Confesso que me tem dado gozo este blogue. Sempre considerei importante partilhar e divulgar o que vamos lendo e estudando e este é um bom meio de o fazer.