Albi: cidade construída em tijolo

Vista Geral de Albi tirada da margem direita do Tarn. 16 de Fevereiro de 2011

Desde 31 de Julho de 2010 que Albi, em França, é considerada Património Cultural da Humanidade. Este galardão deve-se ao facto de possuir um património edificado notável, concretamente um conjunto de construções em tijolo burro, bem conservadas, e que foram sendo construídas desde a Idade Média até aos nossos dias.

Albi. Catedral de Santa Cecília. Ano de 2011

Deste conjunto destaca-se a Catedral (séc. XIII-XVI), dedicada a Santa Cecília, e que é a maior catedral em tijolo do mundo. Neste templo merecem destaque os frescos da abóbada, pintados por artistas italianos (1509-1512) e o coro fechado decorado com belas esculturas (1477-1484).

Albi. Interior da Catedal de Santa Cecília. O «Julgamento Final». Ano de 2011

As paredes laterais da “capela-mor” são decoradas com pinturas alusivas ao Juízo Final, da autoria de pintores flamengos (1474-1484). Sobre esta representação encontra-se um enorme órgão, um dos maiores existentes em França, construído no século XVIII.
No século XIII Albi foi centro de difusão das ideias ligadas ao movimento cátaro. De facto, depois de S. Bernardo ter sido mal acolhido em Albi, esta cidade passou a ser conotada com o catarismo. No entanto, Albi manteve-se fiel à Igreja Católica não tendo sido muito afectada pela Cruzada contra os albigenses (1204-1244).
Albi sempre foi uma cidade comercial para o que seguramente contribuiu a existência desde o século XI de uma ponte ligando as duas margens do Tarn, também ela feita em tijolo burro, a qual propiciou uma fácil circulação de pessoas e bens.
No período renascentista a cidade floresceu devido ao comércio do açafrão – utilizado quer na culinária quer como corante têxtil ou como pigmento na pintura, principalmente na iluminura – e do pastel – nome dado na região da Occitânia à planta Isatis tinctoria L.º, com cujas folhas se preparava um corante azul usado antigamente na tinturaria e na pintura.

Albi. Margem direita do Tarn onde se situavam os moinhos e as fábricas de farinha e massas alimentícias. Fotografia de Fevereiro de 2011

Nas margens esquerda e direita do rio Tarn localizavam-se moinhos de pão, sendo também aí que nos séculos XIX e XX, período em que se dá a industrialização, são instaladas fábricas de farinha, de massa alimentícia, de metalurgia e de chapéus. Nestes séculos tem também enorme importância para a cidade a exploração das minas de carvão de Cagnac-Carmaux e a fábrica de vidro – Verrerie Ouvrière – criada em 1896 pelos grevistas apoiados por Jean Jaurès.
Deambular por esta cidade arquiepiscopal é um prazer.

Albi. Mercado coberto. Construção em ferro e tijolo construída em 1905. Fotografia de 2011.

Albi. Mercado coberto. Construção em ferro e tijolo construída em 1905. Fotografia de 2011.

Vale a pena visitar o mercado coberto de Albi, ali bem perto da Catedral de Santa Cecília, construído em ferro e tijolo burro, ao estilo dito «Baltard», datado de 1905. Aí tem uma montra dos produtos locais e pode ficar a saber um pouco mais de que se alimentam os habitantes de Albi.

Albi. Em primeiro plano a «Maison du Vieil Alby». Fotografia de 5 de Dezembro de 2011

Nas ruas podemos deleitar-nos observando velhas e belas casas nas quais se verifica o uso regular da taipa de rodízio na construção das habitações sendo o último piso – o Soleilhou, ou seja o sótão – aberto, permitindo observar-se a cobertura em madeira. Este último piso era utilizado para a secagem de produtos, como, por exemplo, o pastel. O segundo piso, que muitas vezes avançava sobre a rua em balcão de modo a ganhar espaço, era destinado à vida familiar. Um bom exemplo deste tipo de habitação pode ser visitado – La Maison du vieil Alby(Rude de la Croix Blanche, 1). Nesta casa, hoje sede da Associação de Defesa do Património Local, pode conhecer-se o interior e assistir à passagem de um filme sobre o património de Albi e sobre a vida de Toulouse Lautrec.

Albi. Passeio feito com calhaus rolados. Fotografia de 5 de Dezembro de 2011

Também se deve chamar a atenção para os antigos passeios que eram feitos com calhaus rolados. Estes passeios ainda se podem encontrar na ponte velha e numa ou noutra rua.
Termina-se com algumas fotografias de construções feitas em tijolo, sendo visível em muitas delas o uso da taipa de rodízio.

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4 thoughts on “Albi: cidade construída em tijolo

      • Obrigado Isabel, adoro tijolo burro!
        Recentemente visitei uma fábrica familiar que ainda os faz manualmente (foi operário da Bordallo).
        Gr abraço
        Elsa Rebelo

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