Livro «Receitas da Casa do Mosteiro de Landim»: um doce património

Têm-se prestado pouca atenção aos cadernos de receitas manuscritos que se encontram nas mãos de antigas famílias, mas, através deles conseguimos perceber o que se comia nos séculos XIX e XX e ficar a saber as quantidades e os ingredientes usados na confecção das iguarias.
Os cadernos de receitas manuscritos que conhecemos, quase todos escritos por mulheres, são propriedade de famílias conceituadas, tendo a mulher que os escreveu uma educação superior à média nacional, e nos quais são apontados principalmente receitas de doces. De facto, a originalidade e criatividade da culinária portuguesa está nos seus doces, dos quais existe uma enorme variedade.
Nas famílias de maiores posses a mulher sabia cozinhar, mas tinha sempre o apoio de uma ou mais serviçais para estas tarefas. A dona da casa, detentora da receita, por vezes limitava-se a orientar os afazeres da cozinha vigiando para que tudo corresse em conformidade ou, se participava na feitura do doce era apenas nas tarefas de mistura dos ingredientes e realização do doce propriamente dito, deixando para as serviçais, por exemplo, as tarefas de cortar, descascar, partir, bater a massa, bem como a arrumação posterior da cozinha.
No livro «Receitas da Casa do Mosteiro de Landim» reúne-se um conjunto significativo de receitas de doce (187) retiradas do caderno manuscrito de Dona Maria Henriqueta Leal Sampaio, o qual foi redigido entre final do século XIX e o primeiro quartel do século XX.
Dona Maria Henriqueta Leal Sampaio era sobrinha do Historiador Alberto Sampaio, tendo a sua vida decorrido inicialmente em Guimarães, e, anos mais tarde, em Famalicão: Nesta cidade residiu na Casa de Boamense, e, após o casamento, na sua Casa do Mosteiro de Landim, propriedade onde viria a falecer. Outra cidade a que Dona Maria Henriqueta se encontrou ligada foi a Vila do Conde, local onde, na companhia dos pais, do irmão e de seu tio Alberto Sampaio, costumava passar férias.
Destas três cidades tem Dona Maria Henriqueta no seu caderno manuscrito um número significativo de receitas de doce, sendo de realçar que muitas delas são desconhecidas do grande público e que outras se mantiveram até hoje confinadas apenas ao recato de alguns lares.
Desde 2001 que a gastronomia é considerada património cultural, valorizando-se, deste modo, a enorme riqueza culinária portuguesa.
Neste livro consta um conjunto significativo de receitas de biscoitos, bolachas, bolinhos, bolos, doces de colher, doces de fruta, fritos (doces), morcelas e chouriços doces, pães e pãezinhos, pastéis, pudins.
Chama-se a atenção também para o facto de 22 receitas terem origem conventual, sendo a maior parte proveniente do Convento de Vairão, em Vila do Conde (12 receitas), e do Convento de Santa Clara, em Guimarães (5 receitas).
Este livro de receitas tem dois textos iniciais, um da autoria de Maria Adelaide Sampaio da Nóvoa de Faria, sobrinha neta da autora do Livro de Receitas, outro de Isabel Maria Fernandes, ex-directora do Museu de Alberto Sampaio e estudiosa da gastronomia portuguesa.
O custo de venda ao público do livro é de 25 euros e pode ser adquirido online  no site da Editora Despertar Memórias

Próximos locais para a apresentação do livro:

  • Guimarães – Fnac Guimarães Shopping. 19 de Novembro, Sábado, pelas 18 horas
  • Torres VedrasConfeitaria «Casa da Avó Gama». 26 de Novembro, Sábado, 17 horas. Email: geral@casadaavogama.net

Lista de algumas das receitas que constam no livro

Guimarães (dezassete receitas) – Ovos queimados (N.º 120); Doce de pêra (Perada) (N.º 124); Bichas (N.º 1); Laranjinhas (N.º 57); Manjar branco da Costa (N.º 61); Queijadas (N.º 66); Toucinho do céu (N.º 92); Manjar real (N.º 102); Mexidos do Natal (N.º 103); Figo seco (N.º 127); Receita para fazer nabada (N.º 135); Sardinhas (N.º 138); Morcelas (N.º 142); Tortas (N.º 152); Pastéis de doce (N.º 157); Pudim de pão (N.º 170); Receita das flores de açúcar (N.º 186)Vila do Conde (treze receitas) Charutos (N.º 8); Palitos (N.º 14); Rosquinhas (N.º 15); Tolos de Coimbra (N.º 18); Bolinhos de amêndoa (N.º 26); Bolinhos de ovos e amêndoa (N.º 29); Bolinhos de ovos ou Velhinhos (N.º 30); Castanhas de doce (N.º 42); Rosquinhas ou bolinhos de ovos (N.º 68); Creme (N.º 96); Espécie de leite (N.º 100); Pastéis fritos (N.º 159); Rebuçados (N.º 185)Famalicão (doze receitas) Biscoitos fidalguinhos (N.º 6); Bolinhos de ouro (N.º 28); Doces amarelos (N.º 50); Doces bolinhos (N.º 51); Engano de Senhora (N.º 54); Scones (N.º 70); Suplicos (N.º 71); Pão-de-ló (N.º 89 e 90); Sopa dourada (N.º 110); Doce de laranja à inglesa (N.º 120); Pudim delicioso (N.º 173)

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