Mercado dos Lavradores

Sempre que visito um novo local procuro conhecer as suas feiras e mercados. É aí, nesses espaços coloridos e ruidosos, que se sente o pulsar do quotidiano, que se fica a saber o que os autóctones consomem no dia a dia.
O que mais me atrai são os produtos locais sejam eles os utensílios, as carnes, os peixes, as frutas ou os legumes. Gosto de observar o modo como os produtos são acondicionados, imaginar os seus usos, espantar-me com a forma da fruta, o colorido das especiarias ou um utensílio para o qual desconheço o uso…
Detenho também o meu olhar sobre o local ou o edifício onde se realiza a feira ou o mercado: o modo como se organiza esses espaço e como são arrumados os diferentes sectores – de um lado, a roupa, do outro, os animais vivos ou mortos, as frutas e os legumes, os artefactos que se usam no quotidiano. Quase que me atrevo a afirmar que visitar um local e não conhecer o seu mercado ou feira é como ir a Roma e não ver o Papa…
Esta “máxima” bem se pode aplicar ao Funchal. De facto, seria um “sacrilégio” visitar a cidade e não conhecer o Mercado dos Lavradores.
A visita é desde logo obrigatória pelo edifício em si. Ocupando uma área de 9600 m2, o mercado, construído no final da década de 30 do século XX, foi inaugurado em Novembro de 1940, sendo obra do arquitecto Edmundo Tavares (1892-1983).
O mercado é decorado com diversos painéis azulejares realizados na Fábrica de Cerâmica Constância / Faiança Battistini de Maria de Portugal. Os temas tratados representam cenas de venda de produtos locais como o peixe espada e as flores, e nas quais as pessoas representadas envergam o que se definiu como o traje típico da Madeira.
O edifício desenvolve-se em dois pisos, possuindo cada um deles um meio-piso ou mezanino.
No piso inferior situa-se a venda do peixe, destacando-se entre os peixes vendidos o peixe espada. Mas, também se pode adquirir lapas, que de um modo geral se confeccionam grelhadas, gaiado e gata secos, atum…
No piso superior vendem-se flores, frutas, legumes, sementes, especiarias, ervas aromáticas e medicinais, peças de vime.

Entre a panóplia de produtos à venda destaque-se as semilhas (batatas) de que existem diversas qualidades, as abóboras e a enorme variedade de fruta – pêros, diferentes qualidades de maracujá, anonas, mango, mamão, ananás, pimpinela (a que no continente chamamos chuchu), tabaibos (fruto do cacto), castanha, bananas…
A nossa atenção é também atraída pela venda de produtos secos como malaguetas, cebolinhas, frutas cristalizadas…

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